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Apontamento de produção é o registro, feito no chão de fábrica, do que aconteceu em cada ordem: quantidade produzida, refugo, tempos de início e fim, paradas com motivo, máquina e operador. É a fonte de dados para controlar prazos, medir a eficiência das máquinas e calcular o custo real de cada ordem.
Abaixo estão os campos que valem a pena registrar, as formas de apontar, o passo a passo para implantar e um exemplo do que o apontamento mostra no custo.
Neste artigo
Para que serve o apontamento de produção
Sem apontamento, a gestão sabe o que foi planejado, mas não o que aconteceu. Cada pergunta importante da fábrica depende de um dado registrado no chão de fábrica:
| Pergunta da gestão | Dado do apontamento que responde |
|---|---|
| Esta ordem vai sair no prazo? | Quantidade produzida até agora e etapa em que a ordem está |
| Por que a máquina produziu menos? | Paradas com motivo e duração |
| Quanto estamos perdendo? | Refugo por motivo, máquina e produto |
| Quanto custou esta ordem de verdade? | Tempo real de máquina e de operador |
| O tempo padrão está certo? | Comparação entre tempo apontado e tempo previsto |
O que registrar no apontamento
| Campo | Exemplo | Por que importa |
|---|---|---|
| Ordem e operação | OP 1234, operação 20 (fresamento) | Liga o registro ao pedido e ao roteiro |
| Máquina e operador | Injetora 3, turno B | Mostra onde e com quem cada resultado aconteceu |
| Início e fim | 08:10 às 11:40 | Tempo real, base de custo e de eficiência |
| Quantidade boa | 480 peças | Andamento da ordem |
| Refugo com motivo | 20 peças, rebarba | Onde atacar a perda |
| Paradas com motivo e duração | 35 min, falta de material | Disponibilidade e causa das perdas |
| Preparação (setup) | 50 min, troca de molde | Capacidade perdida em trocas |
| Material e lote | Lote de resina 2408 | Consumo real e rastreabilidade |
Formas de fazer o apontamento
| Forma | Vantagem | Limitação |
|---|---|---|
| Ficha em papel | Simples de começar | Precisa ser digitada depois; erros e atrasos |
| Planilha | Permite somar e comparar | Normalmente preenchida no fim do turno, de memória |
| Terminal ou tela no chão de fábrica | Registro na hora, ligado à ordem | Exige cadastro de ordens, máquinas e motivos |
| Coleta automática na máquina | Tempos e quantidades sem digitação | Investimento maior; motivos ainda dependem do operador |
Como implantar o apontamento de produção
1. Comece com poucos dados
Ordem, máquina, início, fim, quantidade boa e refugo já mudam a visão da fábrica. Paradas e setup podem entrar na segunda fase. Formulário longo demais deixa de ser preenchido.
2. Padronize os motivos de parada e de refugo
Use uma lista fechada, com cerca de dez motivos, em vez de texto livre. Exemplos de motivos de parada:
- Falta de material
- Preparação ou troca de molde/ferramenta
- Manutenção corretiva
- Falta de operador
- Aguardando programação ou ordem
- Ajuste de processo
- Inspeção ou problema de qualidade
- Falta de energia ou utilidades
Evite o motivo "outros": quando ele passa de 10% das paradas, a lista precisa ser revista.
3. Defina quando e quem aponta
O ideal é apontar no momento em que a operação termina ou a parada acontece. No mínimo, a cada troca de ordem e a cada fim de turno. Deixe claro quem registra: o operador, o líder ou o apontador.
4. Explique para que os dados servem
Apontamento usado para punir é maquiado. Mostre para a equipe que os dados servem para resolver falta de material, máquina quebrada e prazo apertado, problemas que também atrapalham quem está na produção.
5. Confira os dados todos os dias
O PCP revisa o apontamento do dia anterior: ordens atrasadas, paradas longas, refugo fora do normal. Dado que ninguém olha deixa de ser registrado com cuidado. Veja como o apontamento entra no PCP industrial.
6. Transforme em indicadores
Com o apontamento, a fábrica calcula o OEE de cada máquina, o índice de refugo e a diferença entre tempo real e tempo padrão.
Exemplo: o que o apontamento mostra no custo
Uma ordem de 500 peças tem tempo padrão de 2 minutos por peça: 1.000 minutos previstos. O apontamento mostra 1.180 minutos reais, 18% acima. Com a hora de máquina custando R$ 120, os 180 minutos extras somam R$ 360 a mais nesta ordem, um valor que não estava no orçamento.
Sem apontamento, essa diferença some no resultado do mês. Com ele, dá para corrigir o tempo padrão, investigar a causa e orçar o próximo pedido com o tempo real. Veja como calcular o custo da hora-máquina e como montar o orçamento de usinagem com esses tempos.
Apontamento na injeção plástica e na usinagem
- Na injeção plástica, os pontos críticos são o refugo por defeito, as paradas por troca de molde e o consumo de matéria-prima por ordem. Veja o guia de refugo na injeção e conheça o sistema para indústria de plásticos.
- Na usinagem, o que mais importa é o tempo real de cada operação em cada máquina, a base do custo e do orçamento. Conheça o sistema para indústria de usinagem.
Erros comuns no apontamento
- Apontar no fim do dia, de memória. Os tempos viram estimativa.
- Usar "outros" como motivo padrão. A causa da perda desaparece.
- Registrar só a quantidade. Sem tempo, refugo e paradas, não há como medir eficiência nem custo.
- Coletar dados que ninguém usa. A equipe percebe e para de preencher com cuidado.
Perguntas frequentes
O que é apontamento de produção?
É o registro, feito no chão de fábrica, do que aconteceu em cada ordem: quantidade produzida, refugo, tempos de início e fim, paradas com motivo, máquina e operador. Ele mostra o que foi realmente produzido em comparação com o planejado.
O que deve ser registrado no apontamento?
Ordem e operação, máquina e operador, início e fim, quantidade boa, refugo com motivo, paradas com motivo e duração, tempo de preparação e material consumido com o lote.
Qual a diferença entre apontamento manual e automático?
No manual, o operador registra os dados em papel, planilha ou terminal. No automático, tempos e quantidades vêm da própria máquina. Mesmo no automático, os motivos de parada e de refugo normalmente dependem do operador.
Para que serve o apontamento de produção?
Para acompanhar o andamento das ordens, medir eficiência (como o OEE), identificar as maiores perdas e calcular o custo real de cada ordem, comparando o tempo real com o tempo padrão.
Com que frequência fazer o apontamento?
O ideal é no momento em que a operação termina ou a parada acontece. No mínimo, a cada troca de ordem e a cada fim de turno, para que os tempos não virem estimativa.

